será que a neve que me rodeia está me tornando uma pessoa fria, Bertold?
agora eu entendo, o meio ambiente influi sim no comportamento das pessoas.
eu nem sei mais quantos dias faltam pra eu ir embora, ou há quantos dias estou aqui.
Olá!
Hoje, depois de uma manha com um projeto muito blöd, como a gente diz aqui (besta), visitamos a Alte National Galerie. Tivemos uma guia especial pra gente, que foi parando e explicando as partes mais importantes do museu. Pra ser sincera eu fiquei meio decepcionada com a escolha deles do museu, porque na Ilha dos Museus (é realmente uma ilha, onde estão os maiores museus de Berlin… ela fica ao lado do Reichstag) existem tantos museus mais interessantes, mas vá lá, foi legal, e me valeu mais algumas boas fotos.
Depois nós tínhamos a escolha de visitar mais um museu, mas eu tava PODRE e, por incrível que pareça, visitar museus cansa. E o pior: cansa mentalmente. Daí fomos eu, a Rita, o Andrew e a Hale jantar. Olhamos algumas lojas de souvenirs e eu já tive algumas idéias de presente pra levar pra algumas pessoas. Também vi o preço da mala de mão, porque eu vou ter que levar uma daqui… Eu fui muito besta, o povo entra no avião como se ele fosse um pau de arara, cheio de tranqueira, e eu pensando que não poderia entrar com mais uma malinha de rodas… Enfim… não são tão caras assim.
Depois fomos na KaDeWe (abreviado de “Kaufhaus des Westens”, algo como shopping do leste). É o maior centro de compras na Europa (e deve ser o mais caro também, porque só tem loja chique). Mas o melhor é o sexto andar: comidas e bebidas… Uma pena que, quando uma funcionária me viu fotografando, me pediu gentilmente que não o fizesse mais, pois não era permitido. Eu tive que apagar as fotos que já tinha feito! L Mas como ela foi muito gentil, acabei não ligando. Mas o chato é que eu queria mostrar pra vocês as vitrines de salgados, bolos, pães e doces… parece coisa de cinema. Aliás, lá eu comprei uns 50 pau só de chocolate (e eu quero dizer 50 euros). Como eu disse pra Hale, e ela morreu de rir: “o amor à família pesa”. Uma sacola, só de chocolates, cheia, e pesaaaaaada! Sorte que eu moro aqui do lado.
Jantamos juntos num restaurante italiano aqui perto também. Sério, comida alemã não rola comer todo dia… é pesado demais. Forte demais. O que eu mais como aqui é comida italiana: pizza, macarrão… senão não rola ir assistir aula depois. A gente dorme. Aliás hoje eu tomei um expresso. Meu, que café forte da porra (uhahuahua). Não é mesmo como o expresso dos brasileiros!
Agora estou eu aqui, são umas 11 horas da noite e eu tô morta de cansaço e ainda tenho que secar o cabelo! Eu já andei dormindo sem secar o cabelo, e daí minha garganta começou a pegar. Como hoje tivemos -17 aqui em Berlin, não vou arriscar. Aliás, aquele sobretudo de 20 euros salvou a minha vida hoje. De verdade. Eu teria congelado na rua.
Amanhã tem a tal da noite das nacionalidades e já me falaram que eu vou ter que dançar samba, mesmo meu seminário falando que aqui no Brasil não tem só samba… É foda, a gente tenta fugir da mesmice, mas é isso que eles querem… que eu sambe. Espero que ninguém filme isso. Acho que vou esconder a filmadora do Andrew sem que ele veja… hahaha!
Sono me consome forte. Hoje tava duro de ver a aula. Mas eu aguento!
Beeeeijos pra vocês, tô morrendo de saudades.
Oi povo!
mais uma foto pela qual eu esperei, mais ou menos, uns 10 anos!
Hoje estivemos no Reichstag. E até pudemos visitar uma sessão. Uma hora sentados ouvindo a bullshit dos políticos alemães (porque político é político, até na Alemanha). O comentário geral dos colegas foi “cara, eu dei umas pescadas”, “eu dormi, que vergonha” e assim por diante… Certeza os politicos tomam energético pra aguentar o blablabla deles mesmos. Aliás, hoje eu vi numa estação de metrô uma propaganda, como as do Red Bull ai no Brasil, mas era de uma tal de Schwarze Dose (lata preta). Sabem o que tem dentro? Açai. Eita mundo globalizado…
Apesar da chatice do parlamento, depois pudemos visitar a cupula e eu fiz umas boas fotos dela.
Gente, tá MUITO frio aqui. Quando eu cheguei em Munique, estava 5 graus positivos e eu sentia que ia morrer. Depois, a temperatura se estabilizou no 0 grau. E, de repente, já estava acostumada com o frio. Essa semana começou com -5 graus, e como aqui é mais úmido, a sensação de frio é maior… Hoje tivemos -8 e meus casacos não tão mais segurando a bronca. Resultado: tive que comprar um sobretudo de lã. Ainda bem que as liquidações aqui tão bombando e eu comprei ele por 20 euros (esse número 20 tá começando a ficar cabalístico… rs) Mas não faz mal, ele é lindo, maravilhoso, e quente, o que é mais importante agora. Aliás, por mais barato que seja, um casaco nunca é feio aqui. As pessoas andam muito elegantes e a moda inverno é algo que a gente infelizmente não pode usar no Brasil. Elas brincam muito com sobreposições, meias grossas, vestidos, lenços e casaquinhos embaixo do casaco mais grosso… É bem bonito.
Depois da visita ao parlamento eu, o Andrew e a Rita nos encontramos com um amigo alemão dela que mora aqui. Putz, o cara falou dialeto o tempo todo… no começo eu ficava uns 3 segundos até conseguir processar a pergunta dele pra responder, mas no final da noite (e com ajuda de umas cervejas) eu já pude entende-lo melhor. Ele foi bem legal e pagou uma Currywurst pra mim, como presente de boas vindas (alias ele pagou a conta de todo mundo… putz…) E ele disse que vai nos levar pra conhecer coisas legais em Berlin no sábado, já que eu me decidi não ir mais pra Praga (seria uma perda de grana, porque eu não teria mais do que 5 horas pra ver a cidade. Aqui está escurecendo as 4 da tarde… assim eu não quero! E tenho pra mim que, se a gente quer conhecer algo de verdade, é preciso tempo.)
Agora eu tô indo dormir porque eu tô muito cansada… E amanhã vamos visitar museus, então isso significa ficar de pé por algumas horas. Minha coluna já dá maus sinais.
Beijos, eu adoro vocês. (e eu tô me alimentando direito, podem deixar…)
Segundo dia em Berlin. E eu ainda não sei dizer se gosto dessa cidade ou não.
Talvez eu tenha dificuldade em aceita-la porque ela se parece, demais, com São Paulo. E, para mim, São Paulo é São Paulo. Eu sei que os punks de São Paulo não dão a mínima quando eu passo; eu sei também que os skinheads de São Paulo não me olham. Aqui eu não sei. Hoje na rua, por causa da minha maquina fotografica (com certeza), veio um cara me perguntar se eu falava ingles e veio me mostrando um papelzinho em letras mínimas. No mínimo pra eu parar pra ler e o outro que estava com ele me roubar. Continuei andando e disse, em alemão, que não tinha nada. O cara sumiu. Meu número de fotos hoje diminui consideravelmente, em comparação ao outros dias. Porque agora, por medo, ela não sai da minha mochila.
Não sei se vocês conseguem seguir meu raciocínio. Digamos que, os meliantes da minha “nação”, esses eu sei como irão reagir as minhas respostas. Os daqui, eu não tenho a mínima idéia. Berlin é linda, é cosmopolita, ouve-se um milhão de idiomas nas ruas. Mas Berlin é grande demais, justamente pra suportar toda essa gente. Berlin me dá medo. Os edifícios são grandes demais, as estações principais de metrô são maiores que a Sé, em andares e conexões, e isso ainda me assusta. Principalmente porque, hoje, eu tive que voltar sozinha pra casa. O metrô é um nojo, eu juro… Mas, ainda sim, é uma cidade que culturalmente falando não tem páreo. Nem Paris (vimos isso documentado, em um dos nossos seminários).
Talvez a grandiosidade de Berlin seja um teste. Um teste, pra mim. Um teste pra eu crescer. Em Munique tudo parecia menor, acolhedor, minha familia era realmente uma familia. Hoje eu me vejo numa cidade hostil, onde a minha “familia” mal me dá boa noite e onde eu tenho, no café da manhã, direito a comer um pão só. Uma fatia de queijo, uma fatia de embutido. Uma fruta. Um, um, um… esse número que vem se tornando tão presente na minha vida. De repente eu, um, me vejo em uma cidade estranha, uma, num caminho esquisito pra casa, um. Talvez, se eu tivesse mais um aqui, seriamos dois, ou três, ou cinco… E tudo seria menos esmagador. Mas, quando eu me vejo no meio da Potsdamer Platz, perdida, sem saber onde as coisas ficam, os prédios parecem dobrar de tamanho… e tudo parece mais agressivo.
Por coincidencia, hoje, no meio do nosso trabalho de pesquisa em campo, estivemos na mais famosa igreja de Berlin, a Kaiser-Wilhelm-Gedächtniskirche.
E cheguei bem na hora da pequena missa diária, aberta. O padre dizia como era bom ver algumas pessoas ali (cinco, no total), que ainda perdiam algum tempo do seu dia para ouvir a palavra de Deus. Foi ai que eu conversei com o meu Eu, o meu Deus, e disse pra eu mesma que a vida não era uma casa de bonecas, como em Munique. A vida não era uma familia amavel e doce. A vida era mesmo ter apenas um pão e uma pessoa que não te dá boa noite. E foi ai que eu me lembrei de algumas pessoas que estão no Brasil e que fazem, ainda, minha vida parecer como “Munique”. E eu pensei com muito carinho nelas. Porque elas fazem a minha vida menos dura.
Pra terminar o dia, um filme no cinema. Odiei. A neve me congelando os ossos, uma pizza nem tão boa assim e uma volta pra casa, sozinha, me perdendo nas inúmeras linhas de metro. Mas é assim que eu to aprendendo a viver.
Obrigada. Obrigada, Berlin, pelo um pão e pelo “não-boa noite”. Obrigada por vocês estarem no Brasil e ainda pensarem com carinho em mim.
Eu esperei por essa foto mais ou menos uns 10 anos.
Acho que não é preciso dizer mais nada…
Oi gente!
O domingo foi puxado. Já as 6:30 eu estava acordada para partir de Munique. Meus Gastgeber foram muito, mas muito simpaticos mesmo me levando ate a estacao de trem, de onde o onibus para Berlin partiria. A Angela conversou bastante comigo no café da manha e disse que, quando eu quiser voltar a Munique, posso ficar com eles. O Michael tambem foi muito solicito, me ajudando com a mala (que esta pesando MUITO já, ainda com duas semanas de curso pela frente).
Fizemos algumas paradas na estrada (que estava escorregadia, pois na madrugada anterior havia nevado e chovido) e chegamos em Weimar por volta de uma e meia da tarde. As duas comecaria o passeio turistico pela cidade.
Pra quem não sabe, Weimar e importante na Alemanha pois e o berco de Goethe. La tambem morou Schiller, e ambos construiram uma amizade muito forte, apesar de sustentarem pontos de vista tao diferentes. Eu não gostei do guia, porque ele falava depressa demais, baixo, não nos olhava no rosto e não esperava todos chegarem perto para comecar a falar sobre onde estavamos (foi ai que eu já comecei a sentir falta do sul da Alemanha… o nosso guia la, o Günther, fora tao mais simpatico…). Bem, o passeio durou umas 2 horas, e aqui estao algumas das muitas fotos que eu tirei por la.
Partimos novamente para Berlin. Eu dormi um pouco no onibus, conversamos. O Markus, um dos nossos professores, de repente me chamou e disse “ei, com certeza voce conhece o Luis Bollman, não?” O Luis foi meu professor no Goethe por muitos anos e é uma pessoa maravilhosa. Como os professores que trabalham no Goethe Institut São Paulo TEM QUE fazer cursos pelo menos de 2 em 2 anos, eles viajam bastante para a Alemanha, e o Luis fez um curso com o Markus no verão passado. “Mande um ‘oi’ pra ele quando o ver, sim?”
Chegamos em Berlin. Transito. Ah, comecei a me lembrar de São Paulo…
Como são diferentes, Berlin e Munique. Munique tem aquele ar mais acolhedor, se parece com uma casa de bonecas, tudo é voltado pras tradiçoes. Berlin lembra muito São Paulo. Um pequeno vislumbre da cidade, e eu já vi restaurantes japoneses, linhas aereas turcas, lojas especializadas em artigos judaicos, tudo, tudo, tudo. Berlin é grande, imponente. Os prédios são maiores, mais altos, metem medo. Nosso Gastgeber foi nos buscar, o Dietrich. Ele é simpático, mas já deu pra perceber uma certa diferença entre o tratamento que me foi dado no norte e no sul. Coisas como “cuidado ao usar o chuveiro, não gastem muita água” ou “passa esse rodinho no vidro do box quando terminar o banho” (essa nem a minha mãe diria, mas eu posso estar enganada
) Mas tudo bem, a casa é dele, e nós temos que viver sob as regras dele.
Mas pra mim tanto faz porque o ape no qual eu e a Rita (a australiana, lembram-se dela?) estamos dividindo É DE CINEMA! Já no hall ficamos boquiabertas com a beleza do predio, mas quando entramos no ape… quando o Dietrich saiu (eles estão numa festa no ape de baixo) eu e a Rita nos olhamos com uma cara de “puta merda, o que nos fizemos para merecer isso” e ate nos abraçamos! HAHAHA! A coisa é de cinema… acho que é o maior apartamento que eu já vi na minha vida… e a Christine, a minha Gastgeberin, é artista. Então tem quadros e esculturas espalhados pela casa toda, todos muito bonitos. Muitas fotos. Casa de artista de filme de Hollywood mesmo. Não vou botar as fotos na internet, seria incorreto, mas eu mostro pra quem quiser depois… estou besta, ate agora!
Eu e a Rita já tomamos nosso banho e agora esta cada uma no seu quarto… a cama me parece bem confortável
mas eu lavei o cabelo e preciso esperar agora, pelo menos ate ele secar um pouco.
Ela acabou de vir me dar boa noite aqui. Acho que tambem já vou me arrumando… Amanha começamos mais tarde, porque já chegamos tarde, e teremos um passeio pela cidade, de onibus, com um guia… Já tenho muitas expectativas sobre Berlin!
Beijos e saudades de voces ai no Brasil. Seria legal se voces estivessem vivendo todas essas coisas legais que eu to vivendo!
Ps. Ah! O Markus disse que não é dificil comprar ingressos pros jogos de futebol aqui. Eu acho que vou querer ver um!
Oi povo!
O dia comecou com um seminario sobre como trabalhar musicas na sala de aula, e depois um sobre como abordar arte. Muito interessante.
Depois fomos almocar com alguns funcionarios do Goethe, ja que a cantina deles ta em reforma. Na minha frente sentou o, como a gente o nomeou, o “ministro das financas do Goethe Institut”. O cara que liberou dinheiro pra eu estar aqui, certo? rs. Dai ele me perguntou muito sobre o Brasil, como eram as coisas aqui, o que eu achava melhor e pior do que na Alemanha, e no final ele me convidou, se eu quisesse, pra ficar mais tempo na Alemanha depois do curso, pra ficar na casa dele. Sera que o veio tava me paquerando? Erich, bora dar o golpe do bau no tio e viver aqui? (L) hahaha
A tarde visitamos a Neue Pinakothek (nao precisa traduzir, certo?). Que emocao. Olha, eu tremia tanto, eu dei umas choradas la dentro, ainda bem que ninguem viu. Quem ja viu Rodin, Schiele, Gauguin, Degas, Toulouse-Lautrec AO VIVO? E o meu preferido, Klimt? Putz. Essa e pra contar pros meus netos. E nessas horas que eu nao sinto a minima saudade de onde eu vivo… A gente so ve o “resto”, aquelas exposicoes que ja estiveram aqui, mas ha 10 anos atras. Triste.
a foto ta torta, eu sei.
Programa cultural tem que acabar bem, com um bom cafe e um enorme pedaco de torta. Eu e a Theodora fomos a um restaurante que fica em um predio na frente da prefeitura nova, onde ha o Glockenspiel, aquele relogio que tem as figuras em madeira que dancam. FODA. Amanha a gente vai almocar la, eu tiro uma foto. Conversamos bastante, sobre as diferencas que existem entre os nossos paises, ela contou sobre o filho dela. Dai ela me perguntou “voce e casada, ne?” e eu disse “nao”.
- “Mas voce tem um namorado, ne?”
- “Tenho sim!”
- “E bom ele ficar de olho, eu vejo como o pessoal aqui repara em voce.”
UHAUHAUHAHUAHUAUHAUHAHUAUHAHUAUHA fiquei me achando.
Erich, resolva isso, heim?
Por hoje e so. amanha vou tirar o dia pra mais museu. E depois, jantar com a minha familia! Eles pediram pra eu fazer caipirinha pra eles. O desejo sera atendido
Beijos e saudades
em cima, da esquerda para a direita: Theodora, da Bulgaria, Rita, da Australia, Joao, de Portugal, Phuong, do Vietnam, uma das responsaveis pelo projeto Infofon, e a Nadja, da Ucrania.
em baixo: Hanh, do Vietnam, Paula, do Brasil, e a mais linda de todas, a Juliana.
minha cara ta um desastre, mas tudo bem.
(hoje eu vou escrever bem rapido, porque cheguei tarde. tambem nao colocarei fotos, mas amanha eu coloco aqui, sem falta!)
Oi povo!
Hoje de manha fomos conhecer um projeto social que existe aqui em Munique, o Infofon, que e um telefone feito pra jovens por jovens. Quem liga pra ele pode receber informacoes sobre o que esta passando no cinema agora, quais os proximos shows, e tambem ajuda psicologica. Tudo isso feito pelos jovens. Eles tem, claro, uma equipe de adultos especialistas que os ajudam, mas todas as decisoes sao tomadas por eles. Conversamos com uma das responsaveis pelo curso e entao fomos almocar.
A Rita foi almocar comigo. A Rita gosta de Döner Kebap tambem! Meodeos, que maravilha. Eu tava com LOMBRIGAS de comer aquilo. Foi otimo.
Depois fomos ao instituto para fazermos algumas atividades do curso e terminamos cedo, e entao ficamos com uma parte da tarde livre. Compras, portanto. Fui comprar algumas lembrancinhas tipicas de Munique pra alguns, e e claro, pra mim. Achei umas barbadas e comprei um sapato lindo e um tenis muito louco por 20 euros. Eu amo as liquidacoes! hihihi
A noite fomos ao teatro. Acho que foi o lugar mais longe que visitamos. Uns 20 min daqui. Eu ja virei alema e costumo xingar junto com os nativos, que comigo no frio esperam pelo metro ou tram, que os atrasos estao demais. Eu ja to uma nativa, gente, ta foda. hihihihi. A peca foi muito legal, foi “Dogville”, mas adaptado e com final diferente. Eu adorei. E o melhor de tudo: ENTENDI TUDINHO, TUDINHO, SEM NENHUMA DIFICULDADE!
Ieeei!
Agora eu vou indo, ta tarde aqui ja, e eu to cansadona. Amanha temos o ultimo dia de curso em Munique. Passou tao rapido!
Ja sinto falta daqui…
Beijos, saudades
Hoje o dia foi totalmente “indoors”, porque apresentamos os resultados da nossa pesquisa de ontem. Em forma de teatro (e claro, porque os alemaes tem sempre uma maneira de fazer a gente pagar mico). Ontem visitamos uma parte da cidade que se chama Borstei. O tal do Berhard Borst, dono de fabrica, resolveu abrir uma licitacao pra escolher um projeto arquitetonico pra uma ideia que ele teve. Ele desejava que os trabalhadores da sua fabrica morassem bem perto do trabalho. Imaginem um “pombal”, como a gente chama no Brasil, so que organizado. Deem uma olhada nessas fotos:
Esse “complexo”, digamos assim, foi o primeiro em Munique a ter aquecimento central e uma grande lavanderia comunitaria (afinal, um “pombal” organizado nao combina com roupa pendurada na sacada, certo?
). Ate hoje ninguem pode comprar nenhum apartamento la, somente alugar. E ha uma lista de, no minimo, 5 anos de espera pra isso. Quando um apartamento vaga, o proximo da lista ganha um. Isso porque o lugar e extremamente quieto e organizado, apesar de ter 2500 moradores no total. E ha algumas exigencias pra se manter o lugar desse jeito, por exemplo uma mulher solteira com 2 filhos nunca consegue um apartamento. Ou uma pessoa que tenha muitos animais domesticos.
Apresentamos em forma de situacoes, onde pessoas vinham saber se podiam morar na Borstei e, LOGICO, eu que fiz o papel da pessoa que explicava tudo, porque ninguem fez porra nenhuma em casa, certo? Isso, Juliana, bora pagar mico na Alemanha. Pior de tudo: tudo documentado (pelos outros, logico). E depois ficar ouvindo: “voce ja fez teatro?” Esse povo me mata ainda.
Entao, fomos almocar num restaurante chines pertinho do instituto. Eu sempre procuro sentar com pessoas diferentes, assim eu posso conversar com bastante gente. A russa e a bulgara nao acreditavam que eu sabia comer de hashi, perguntaram de onde eu sabia, se eu ja tinha morado na China, e coisas do genero. A bulgara disse que onde ela mora raramente se ve um restaurante japones, e por isso ela se espantou com a minha habilidade (cof cof rere). Depois conversamos sobre o “inverno” no Brasil, e entao a russa me convidou pra conhecer a Russia no inverno. -40. Acho que ela nao deve gostar de mim.
Alias, essa russa e uma figura, eu rio MUITO com ela, ela sempre tem alguma historia bizarra pra contar. Antes de ontem ela conseguiu se perder e tomar TODAS as linhas de metro. Pior que ela mesmo conta e morre de rir. E a gente tambem!
Almoco e entao Hueber. A editora que todo professor de alemao conhece. Tivemos uma pequena palestra sobre novos livros didaticos e depois, logico, lojinha pra comprar. Com desconto de 50% mais uns 20 Euros do Instituto. Comprei livros so sobre ensino de cultura alema, senao eu ia querer levar tudo! rs. Dai o australiano me chamou pra ver o metodo que eles tem pra aprender portugues, e eu ensinei algumas coisas pra ele. A australiana ja diz pra mim, todo tempo, “obrigada”. Ela adorou! hahaha
Tem uma senhora turca que e demais, eu adoro ela, a Hale. Ela ja e uma senhora mas nao se comporta como uma nao, ela e como a gente diz em alemao: lebendig. Uma ideia de pessoa muito viva, sempre alerta, sempre de bom humor. Ela me ensinou a falar “eu te amo” em turco, mas eu nao sei escrever. Mas soa bonito!
Tivemos ainda hoje a presenca de um “contador de historias”. Sim, o cara contou 3 lendas sobre Munique e os moradores. O cara era tao bom, mas tao bom, que eu percebi que eu tava com aquela cara que crianca faz, meio de “maravilhada” misturada com “boba”, com a boca aberta. Ele faz um teatro de papel, olha, so vendo. Eu comprei ate o livro dele! huauhauha E nao foi barato! Ele fez dedicatoria pra mim e, quando soube que eu era do Brasil, disse “nossa, meu livro vai viajar pra tao longe assim?” Se voces quiserem dar uma olhada no trabalho dele, http://www.kleinstebuehne.de/Galerie/galerie.html . Nao precisa saber alemao, e so olhar as fotos. Essa ai com ele e a esposa, ela faz a musica do teatro, mas infelizmente nao estava hoje la. Eu to boba ate agora de ver as coisas que ele faz simplesmente com papel cartolina preto e branco.
Eu tava cansada e resolvi nao bater perna hoje na rua. Voltei pra casa. To cansada. Amanha, ainda bem, comecamos mais tarde. Assim eu tenho tempo pra mim, pra fazer unha, lavar cabelo (to virando alemaaaa hauauhuhauhaauh) e essas coisas que ate agora nao deu tempo de fazer. Ainda bem que no frio o cabelo nao fica todo ferrado e engordurado. hauah
Beijos pra todo mundo, saudades. Mas to me divertindo DEMAIS aqui, ainda nao quero ir embora.
ps importante: impressionante como, mesmo nao ligando pra isso agora (ligo mais pra “me manter quente”), eu saio de casa muito bonitinha. O que um casaco comprido, boinas e lencos nao fazem…